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Conheça o espetacular oásis de Siwa, no Egito

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  • janeiro 22, 2016 /
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Do Egito se diz que é um vasto deserto cortado pelo vale do Nilo. Além do rio e do fértil Delta, quebram também a aridez do imenso território, com cerca de um milhão de quilómetros quadrados, uma meia dúzia de oásis. Alguns – Kharga, Bahariya, Dakhla, Farafra – estão dispersos pelo Deserto Ocidental. É aí, justamente nessa região, que se estende a sudoeste do Cairo, delimitada pelas fronteiras com a Líbia e o Sudão, que se encontra o oásis de Siwa, a pouca distância da grande Depressão de Qattara, uma bacia desértica situada uma centena de metros abaixo do nível do mar.

Siwa não é apenas o mais remoto dos oásis egípcios. Outras singularidades o diferenciam dos seus congéneres do Deserto Ocidental. Localizado a meia centena de quilómetros da fronteira com a Líbia, detém uma espantosa abundância de água, em lagos, fontes e lençóis subterrâneos.

Shali, escultura do tempo

A praça central de Siwa está rodeada de casas de um piso, construções de terra, na maioria. Num dos lados, um painel mostra uma reconstituição de Shali. Por trás do tosco retábulo, ao anoitecer, a velha cidadela mergulha numa semi-escuridão fantasmagórica, enquanto à volta da praça e nas ruelas até à mesquita as últimas azáfamas do dia emprestam uma breve agitação ao povoado.

Passam carroças puxadas por burricos, um ou outro automóvel e carrinhas de caixa aberta, motorizadas a arrastar atrelados ligeiros. É sobre estes veículos que é possível avistar as únicas mulheres locais que descem ao centro de Siwa. Nunca o fazem sós e nunca se apeiam das carroças ou dos atrelados. Aí permanecem, cobertas pelos seus trajes tradicionais, de tom cinza e com discretos bordados, e por burcas. São os homens ou os filhos mais velhos – miúdos ou adolescentes, por vezes – que entram nas mercearias e fazem as compras domésticas. Sentadas nas carroças, imóveis sombras, como fantasmas.

A partir do topo, uma formação rochosa de caprichoso talhe cónico – ainda a mão da erosão -, avista-se uma grande parte do oásis, as extensas áreas verdes dos olivais e das tamareiras, os muitos lagos cercados por montanhas calcárias de formas extravagantes.

Mas durante o dia a decadência de Shali proporciona a quem caminha pelas ruelas perspetivas e atmosferas surpreendentes. Ainda parcialmente habitada, com um punhado de casas pintadas de branco e janelas de madeira nova, a antiga arquitetura de terra toma formas prescritas pelo tempo, esse incansável escultor, e o casario segue lentamente o inexorável caminho do pó.

Há, ainda, um ou outro oásis. Depois segue-se o deserto absoluto.

O lago Siwa e os caminhos à sombra dos palmares

A partir da povoação irradia uma série de caminhos que levam até à beira do lago Siwa, à montanha dos mortos, o Gebel El-Mawta, aos palmares, ao deserto, à fonte de Cleópatra, à aldeia de Aghurmi, onde se situa o Templo do Oráculo. Estes são alguns dos lugares mais acessíveis, à mão de uma caminhada, por vezes entre a sombra das palmeiras, de duas ou três horas.

 

A fonte de Cleópatra, situada entre o Gebel Dakrour e o Templo de Amon, rodeada de palmeiras, é uma grande piscina natural de águas tépidas, onde é possível nadar. A designação da fonte provém de uma lenda, a de que Cleópatra se teria aqui banhado. Se esta história não está claramente documentada, bem mais certo é que Heródoto passou por aqui, tendo legado uma descrição da fonte.

Uma caminhada da fonte de Cleópatra ao Templo do Oráculo toma cerca de meia hora. Passamos pelo Templo de Ámon, desfeito por um terramoto em 1811 e por um autarca inculto que lhe arrebanhou as pedras para algum prosaico empreendimento, e ao chegar a Aghurmi logo avistamos sobre uma colina a cidadela construída em terra que esconde o templo, que tinha nesse tempo grande prestígio entre os gregos e era, de certa maneira, um “rival” do seu congénere de Delfos.

Aqui esteve Alexandre, em 331 a. C., e aqui escutou o imperador a desejada sentença do oráculo, que o reconhecia como filho de Ámon, antes de partir para a sua longa saga de conquistas.

 

Via Alma de Viajante.

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